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Arte e Produção de Subjetividades

Introdução:

Da busca por um diálogo consistente entre Administração, Psicologia e Produção Cultural para se pensar formas livres de produção e potencialização de novos valores artísticos no Brasil, nasceu o tema Arte e Produção de Subjetividades, que tem sido discutido em debates e fóruns culturais da Universidade Federal Fluminense.
A grande questão é a seguinte: de que maneira a produção cultural que escape às fórmulas comerciais da Indústria Cultural, pode contribuir para a Produção de Subjetividades mais livres da lógica capitalística?

Para uma introdução ao tema, apresentamos um breve esclarecimento dos conceitos grifados a cima:


1) Produção de Subjetividades.

Pensadores franceses como Michel Foucault, Gilles Deleuze e Félix Guattari usam o termo “subjetividade” em contraposição àqueles até então usados na filosofia, nas ciências humanas, na psicologia, tais como: sujeito, personalidade, pessoa, indivíduo, eu etc. Todos estes termos e concepções carregam a idéia de uma instância psicológica “interior”, que seria autônoma, auto-referenciada, autocentrada, dona de sua vontade, livre em suas escolhas, senhora de si; algo do domínio de uma suposta natureza humana, como diria Guattari. Ele explica o que seria uma diferença radical entre sua concepção e as outras tradicionais. “Proponho a idéia de uma subjetividade de natureza industrial, maquínica, ou seja, essencialmente fabricada, modelada, recebida, consumida. Seria conveniente definir de outro modo a noção de subjetividade, renunciando totalmente a idéia de que a sociedade, os fenômenos de expressão social, são o resultado de um simples aglomerado, de uma somatória de subjetividades individuais. Penso, ao contrário, que é a subjetividade individual que resulta do entrecruzamento de determinações coletivas, de várias espécies, não só sociais, mas econômicas, tecnológicas de mídia etc”.


2) Indústria Cultural.

O conceito de Indústria Cultural foi criado pelos frankfurtianos Theodor W. Adorno e Max Horkheimer, em um ensaio de sua obra Dialertik der Auflelarung, com o título: “A Indústria Cultural: o Esclarecimento como Mistificação das Massas”. Neste ensaio, os autores descrevem os processos industriais e a política merca
dológica nas áreas culturais, com exemplos tirados principalmente do cinema e do rádio nos EUA, nas décadas de 1930 e 1940, com seu cortejo de ilusão, padronização, imposição de gostos etc. Os meios de comunicação de massa, na verdade, não comunicavam; produziam cultura, impostas às massas sob a forma de ideologia, mistificadora, alienante, catártica, escapista, e, portanto, repressiva.
Adorno e Horkheimer mostram como a tecnologia de produção em série dos artigos culturais reduzidos à condição de produtos leva à padronização e à “mesmice”, à “regressão da audição”, ao esmagamento de qualquer sentido crítico sobre as obras de arte e a cultura em geral.
O conceito de Indústria Cultural é até hoje aplicado, sendo importante analisador das estratégias do capital para manutenção invisível de um sistema que faz prevalecer o interesse de poucos poderosos em detrimento da maioria: a confecção das necessidades, a imposição do consumo e a identificação com a publicidade fazem da cultura o mais importante modo de controle social na nossa sociedade capitalística.


O Movimento Arte Jovem Brasileira tem sua militância forjada na discussão destes conceitos. Através de ações precisas, procura alternativas aos modos comerciais na forma de lidar com a produção cultural e, assim, contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e plural, na qual todos tenham acesso à arte e espaço para expressar-se.