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Funcionário municipal na área da comunicação. Trocou o serviço público pela mais liberal das profissões: a mendicância. Segundo ele, deu-se bem. – Ganho muito mais como mendigo. Lá eu separava notícias, hoje eu deito e rolo em cima delas. Esse é o meu ponto, ninguém tira. Fala com orgulho.

Conta que lendo sobre ciência em um dos seus “lençóis” soube do fracasso dos cientistas que em laboratório tentaram a cruza de um tubarão-martelo com uma macaca-prego. Eu bestamente pergunto por quê? E ele responde: Porque ele batia muito nela.

– Quer dizer que nada lhe falta não é amigo? Pergunto.

– Um cachorro! Mendigo sem cachorro é pior que cachorro sem mendigo. Encomendei um policial num canil de um quartel da polícia. O meu medo é que eles me mandem um policial no lugar do policial. Falando nisso, hoje em dia o tal de “direitos caninos” pretende que se coloque coleira no mendigo, e se adote o cachorro.

– Abílio, aqui é porta de Banco. Você teme ser expulso?

– Como expulso? Antes a minha conta era conta salário. Hoje tenho cheque especial, deposito diariamente mais que os empresários desta rua, e com direito à segurança. Você está aposentado?

– Sim – Respondi.

– Se você quiser um poste, uma ponta de calçada, fala comigo tá?

– Obrigado Abílio. Qual o segredo pra tanto faturamento?

– Ah! Eu apenas falo que ainda sou funcionário público.